Família luta para conseguir canabidiol na rede pública do DF

Família luta para conseguir canabidiol na rede pública do DF

Leila Weschenfelder Ferreira entrou na Justiça e conquistou o direito ao composto para o tratamento da filha, que sofre de Síndrome de Aicardi. Apesar de já estar disponível na Farmácia Central, professora enfrenta trâmites burocráticos para ter acesso ao remédio.

Os problemas da Saúde do Distrito Federal ultrapassam as barreiras de falta de recursos e medicamentos. Mesmo quando os remédios estão disponíveis, problemas burocráticos impedem que os pacientes os retirem nas farmácias da rede pública. É o caso da professora Leila Weschenfelder Ferreira, de 42 anos, que precisa de um composto à base de canabidiol para o tratamento da filha Gabriela, 8, portadora da Síndrome de Aicardi.

De acordo com Leila, que precisou entrar com um pedido na Justiça para que o composto fosse liberado, o medicamento está na Farmácia Central da Secretaria de Saúde desde 18 de agosto. “Mas não está sendo disponibilizado para a gente. Dizem que o problema está no funcionamento do sistema. A gente vai na secretaria e falam que está na farmácia. Quando vamos à farmácia, só dizem que não é possível liberar. É complicado demais”, disse a professora ao Metrópoles.

A pequena Gabriela faz tratamento com o remédio há três anos. Um dos sintomas da Síndrome de Aicardi é a convulsão, que costuma ser amenizada com o uso de canabidiol. “Ela tem evoluído muito com o tratamento, não pode ficar um dia sem a medicação”, relatou Leila.

Enquanto o composto não é liberado, a família está arcando com os custos do próprio bolso. Leila conta que gasta cerca de R$ 400 por mês com o remédio. “Entramos na Justiça no ano passado para conseguir (o remédio) e ganhamos a causa em agosto de 2015. Agora estamos com esse novo problema”, lamenta a professora.

Em março deste ano, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) derrubou o veto do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e liberou o canabidiol para a rede pública de Saúde. Para vetar a proposta, o governador justificou não ter recursos para os gastos que a medida traria. Ele explicou que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não permite que ocorra aumento de despesa sem a demonstração da origem dos recursos para custeio.

Procurada, a Secretaria de Saúde informou, em nota, que recebeu o medicamento, comprado via judicialização, na última semana e que a liberação ocorrerá nos próximos sete dias. “A secretaria esclarece que o canabidiol não é fabricado no Brasil, portanto trata-se de um medicamento importado. O processo de importação é regido por legislação específica, além da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outros trâmites burocráticos”, acrescentou.

De acordo com a pasta, as medidas necessárias para a compra do produto foram adotadas e “a Farmácia das Ações entrará em contato com a mãe da paciente para informá-la da liberação do medicamento para retirada”.

Síndrome de Aicardi

A Síndrome de Aicardi é uma doença genética rara e congênita. Ela tem como característica a ausência parcial ou total da estrutura que liga os dois hemisférios do cérebro, anomalias na retina e convulsões. Em alguns casos, os portadores da síndrome podem apresentar alargamento ventricular (de estruturas do cérebro) e hidrocefalia.

Fonte: http://www.metropoles.com/distrito-federal/saude-df/familia-luta-para-conseguir-canabidiol-na-rede-publica-do-df

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